sexta-feira, 17 de maio de 2013

Um pouco das nossas experiências com a arte na escola...


Quando busco na minha memória as experiências que tive com arte na escola, vejo que ela se deu basicamente nas aulas de educação artística, com atividades de artes plásticas. Segundo João Francisco Duarte Jr., em seu livro “A montanha e o videogame”, a histórica predominância do desenho deve-se ao fato dele ser visto como preparação para trabalhos “sérios” e “úteis”, exigidos pelo mercado, como o desenho arquitetônico e industrial e, além disso, pelo “desenho livre” não exigir, aparentemente, conhecimentos técnicos dos professores leigos. Infelizmente não tive, na escola, experiências com o teatro e dança – com exceção daquelas apresentações esporádicas em datas comemorativas - tendo que buscar por fora o encontro com essas linguagens artísticas. Essa exclusão representa uma grande perda para os alunos, que não tem oportunidade de usar o corpo como um instrumento expressivo e de permitir que “os impulsos, desejos e sentimentos que habitam nossa corporeidade possam aflorar” (DUARTE JR., 2010, p.38).  Vocês que estão lendo nosso blog, tiveram oportunidade de trabalhar o corpo – e não só o intelecto – nas suas experiências escolares? Conte para nós um pouco de sua história... 

14 comentários:

  1. Na escola não houve espaço para o trabalho com o corpo. Fui ter este espaço na graduação numa disciplina de "Educação, Corpo e Arte" e percebi o quanto este desenvolvimento era precário em minha experiência educativa e também fora do espaço escolar.

    Hoje, se eu quiser desenvolver mais as expressões culturais tenho de procurar alternativas fora do meu ambiente educativo...

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    1. É... para ter acesso a essas expressões culturais, temos que procura-la fora da escola mesmo... foi o que eu fiz! E até mesmo aqui na Unicamp, na nossa formação, o corpo ocupa um lugar secundário frente a outras disciplinas. Durante 4 anos essa experiência só é garantida em uma única disciplina, uma pena...

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  2. olhando as obras de Julian, eu me perguntei como conseguiu fazer aquilo? é impressionante a criatividade dele de trabalhar com vários ângulos.
    Durante toda a minha ecolarização os momentos que tinhamos para artes plásticas era sempre bem técnico, como confeção de figuras geométricas e reprodução de desenhos. uma vez ou outra foi possivel trazer para a escola alguns saberes da minha avó ou da minha mãe que eu sabia fazer e que me empolgava bastante.
    Corpo=educação fisica=esporte
    Diante deste cenário eu percebo que tenho muitas dificuldades em estimular e de conseguir ver as espressões artisticas nos desenhos ou nos movimentos das crianças , mas penso que é urgente sim valorizar e estimular essas áreas de saber

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  3. Eu tive oportunidades de trabalhar o corpo na escola, não nas aulas de educação artística, mas nas de educação física. Meus professores sempre trouxeram coisas para além do basquete, handball, futebol e vôlei. Não me lembro exatamente as séries que estava quando tive isso, mas me lembro muito bem da experiência: tive aulas de capoeira, defesa pessoal, meditação, arte circense (foi quase um ano inteiro disso), ancoragem, dentre outros.
    Fora isso, nas aulas de música, tive outro tipo de contato com a arte, pois além da tradicional flauta doce, formávamos bandinhas e estudávamos os diferentes estilos de música. Lembro-me da professora trazer uma ópera em que a cantora elevava o tom de voz a um nível tão agudo que ficamos impressionados (acho que eu estava na terceira ou segunda série). Todos começaram a tentar cantar também. Disso surgiu toda uma discussão sobre o compositor da música, foi uma experiência muito boa!

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    1. É Valéria, sinta-se uma privilegiada! São poucos os que tem a sorte de encontrar professores dispostos a se empenhar num trabalho diferenciado com as artes!

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  4. Oi Daniele,

    Minha escolarização também não estimulou atividades corporais, meus/as professores/as de educação artística, em sua maioria trabalhavam com desenhos livres (agora com seu post e o trecho do Duarte Jr. descobri que certamente eram leigos), com exceção de uma professora, durante a 4ª série que trabalhou as diferentes perspectivas e desenhos de auto retrato, o que me estimulou a desenhar - o que gosto muito , apesar de não fazer muito bem. O não estímulo da corporeidade quando criança na escola e em casa, me gerou consequências, não tenho nenhuma habilidade para dança - nenhum tipo, não tenho ritmo, não toco nenhum instrumento e já tentei muitos, mas não consigo kkkk, não canto, não prático exercícios - o que na verdade detesto... enfim gerou vários aspectos negativos.

    Adorei o texto.
    Abr. Juliana Cristina.

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    1. É uma pena isso! E essa ausência de um trabalho com artes na escola nos coloca numa situação delicada: como, quando formos professores, iremos trabalhar o corpo com nossos alunos se nos tornamos sujeitos que, como você disse, não tem habilidade com as diferentes linguagens artísticas? Porque, vale ressaltar que a nossa graduação não consegue superar essas deficiências...

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  5. Em meus anos de escola, não me lembro em explorar o corpo na dimensão artística. Meu contato com a arte sempre se deu por desenhos, pinturas, sem muito sentido admito. Talvez seja por isso, que tenho tanta dificuldade em me expressar. Até mesmo com as crianças na educação infantil, tenho vergonha em cantar e dançar junto com eles.
    Pelo que presencio, em meus estágios, as coisas não mudaram muito com relação ao que eu aprendi, o que é uma pena, já que as crianças - em qualquer idade - adoram se expressar de diversas formas.

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    1. Eu também passo por isso, Gi. No estágio de educação infantil eu fico envergonhada por cantar, porque tenho a impressão que dou cada desafinada...
      E o que eu tenho percebido é que a educação infantil, principalmente, exige dos professores conhecimentos diversos das linguagens artísticas, por ser um espaço privilegiado para se trabalhar com as artes, já que, infelizmente, no ensino fundamental ela perdeu lugar para as disciplinas que trabalham unicamente o cognitivo...

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  6. Então gente, com a relação a educação artística e educação física eu não tive muito oportunidade de ter acesso a elas, mas só no ensino médio eu tive um professor de educação física, o aula dele foi dividida em duas partes: teórica uma vez por semana e pratica duas vezes por semana. Na aula pratica teve Football e corrida. Com relação a educação artística eu não tive nada sobre ela. Hoje eu aprendi como a educação artística e educação física têm uma grande importância no desenvolvimento da criança. A integração da educação artística e física na escola, favorece uma equilibração no desenvolvimento da criança. Essa equilibração se faz com a combinação desses três tipos de educação: física, artística e intelectual. Em fim eu solicito que esse blog vá trazer algumas contribuições a os assessores, quanto na disponibilização de algumas obras de arte plástica e outra...
    Beleza!
    Frantz R D

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    1. Assim esperamos, Frantz! Que aqui seja um espaço onde possamos compartilhar experiências e sugestões de trabalho com a artes! =)

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  7. Essas pituras 3d são muito legais! Eu já vi várias (não pessoalmente, claro haha) e as mais legais são as fotos que as pessoas tiram interagindo com o lugar - ficam sempre divertidas

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    1. Não tem como não se encantar com essas pinturas, não é mesmo? É incrível como a arte consegue fazer com que as pessoas deem uma pausa na correria do dia-a-dia e parem só por uns minutos para registrar esses encontros com ela...

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  8. Acho que atividades artísticas que fujam do tradicional desenho e pintura são uma grande falta na maioria das escolas brasileiras.
    Pelo que me recordo das minhas experiências escolares, tive um contato considerável com a música e quase nada com teatro e dança, exceto como possibilidade de atividade extra-curricular.
    Acredito que esse seja um dos principais motivos de termos tanta dificuldade em participar de atividades que envolvem a expressão corporal: não fomos acostumados quando crianças.
    Teatro, dança e outras atividades corporais seriam uma boa pedida no currículo das escolas... não necessariamente com disciplinas, mas também inseridas na prática das matérias já existentes. Porque não ensinar um momento/fato histórico por meio de uma encenação com as crianças?

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