sexta-feira, 24 de maio de 2013

Com vocês, Raul Seixas...!

Estamos em um blog sobre arte na Educação.
Mas será que essa educação "tradicional" a que estamos acostumados, que adestra para a competição, a mesmice, a visão unilateral de mundo, que instila alguns preconceitos na pretensão de eliminar outros, que perpetua e estimula a supremacia de testes como o vestibular, que transforma os alunos em robôs padronizados, especialistas em fórmulas de matemática e em regras de português (quando prodígio, porque é difícil ver essa "educação" criando especialistas em algo que não seja memorização, conformismo e automatismo), que prega, muitas vezes, valores e objetivos de vida que, quando alcançados, são diluídos em seu significado pelo impacto da realidade, por um sistema que está sempre preocupado "com o seu futuro" sem valorizar o seu AGORA, enfim, essa escola que, em grande parte, conhecemos e que, por sermos vários de nós a termos sido "adestrados" por ela, temos dificuldades agora de perceber o equívoco (porque não temos outras referências), será que essa ESCOLA pode mesmo oferecer uma abordagem artística significativa e consciente, ao invés de apenas mascarar essa necessidade com uma "aulinha" de artes às segundas?


O que precisamos mudar em nossa ideia sobre o que é uma escola para que possamos, de fato, ver as dimensões artística, criativa, simbólica, corporal, espiritual (não confundir com proselitismo religioso), sentimental, afetiva do ser humano contemplada em seu processo de "formação"?

Arte na Educação não é apenas para se enfeitar blog ou para ilustrar utopias.
A Arte na Educação também serve para conceder significado à vida que, infelizmente, é deslustrada por nossa civilização em troca dos usufrutos mais imediatistas e fugidios que existem.
ISSO GERA DOENÇA. (Depois não sabemos de onde surgem tantas desordens psíquicas e emocionais que nos assolam nos dias atuais...).
Ouvimos muito falar em "Educação Integral". Mas será que realmente estamos olhando o ser humano em sua integralidade quando pensamos nele em seu processo de formação?
Graças a Deus houve um sujeito, ironicamente inteligente, que soube dizer àqueles que têm "ouvidos de ouvir" o diagnóstico e o resultado para essa abordagem simplista, superficial e negligente que damos ao ser humano desde criança. 
Com vocês, Raul Seixas: 

Abraço!

16 comentários:

  1. "A Arte na Educação também serve para conceder significado à vida que, infelizmente, é deslustrada por nossa civilização em troca dos usufrutos mais imediatistas e fugidios que existem." Concordo.

    O mais triste de tudo é que as disciplinas ditas artísticas nos ensinam a pintar quadradinhos de cores primárias, secundárias e neutras, mas não nos apresenta o amarelo e o azul de Van Gogh, seu lóbulo cortado nem toda uma vida por trás.

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  2. "Será que essa ESCOLA pode mesmo oferecer uma abordagem artística significativa e consciente, ao invés de apenas mascarar essa necessidade com uma "aulinha" de artes às segundas?"

    Maravilhoso post, Yuri! Que bom se deparar com esses tipos de indagações e ver que mais gente pensa como voce...

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    1. A arte deveria estar associada à todas as disciplinas e não deveria ser algo tão superficial como tivemos na escola (e como ainda é dada).
      Você não precisa dar uma aula da semana para a criança desenhar em uma folha em branco ou pintar uma figura que você imprimiu da internet. Isso ela pode fazer sozinha. Ou melhor, isso ela já faz. Sozinha. Por prazer. Sem ninguém para transformar aquilo em obrigação (como naquele livro "Minhas Férias, Pula uma Linha, Parágrafo").

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  3. Essa música do Raul Seixas é a verdade. Ficamos 9 anos no ensino fundamental, 3 anos no ensino médio, em média 4, 5 anos na faculdade para poder arranjar um bom emprego e ficar trabalhando, trabalhando... O que aprendemos na escola é puramente memorização, principalmente no ensino médio, que a grande prioridade é o vestibular, só para poder dizer depois que tantos alunos entraram na unicamp, tantos alunos entraram na usp e assim por diante.
    Devemos priorizar mais "pequenas coisas". Matemática e português são importantes, mas exercitar a criatividade da criança também é. Não tinha nada mais gostoso do que desenhar quando estava na escola (mesmo que eu desenhe muito mal), até para dar uma quebrada na teoria, memorização, teoria, memorização...

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  4. Realmente. Fazer um momento com uma folha em branco e lapis de cor dizendo: DESENHE SUAS FÉRIAS é muito chato e ainda acreditam que isso é "Artes" na escola, uma disciplina onde todos acham perca de tempo.

    Yuri, uma coisa bonita de ler o que você escreve é perceber você. Eu não sabia que você escrevia nesse blog mas antes de terminar de ler o seu texto eu já pensei: ISSO TEM CARA DE YURI! Eu amo o seu posicionamento quanto à formação.

    Será mesmo que estamos vendo a formação integral de um cidadão ou estamos vendo a formação integral de um vestibulando?

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  5. Desde que entramos na escola ouvimos que precisamos estudar, para fazer uma boa faculdade e ter um bom emprego...mas será que isso realmente é suficiente? Será que é apenas isso que podemos almejar?
    A escola deveria ter o papel de atender às necessidades do aluno ali, naquele momento e não ficar apenas com o pensamento lá no futuro, esquecendo-se que a criança e o adolescente são seres em permanente construção e não um "vir a ser".

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  6. Realmente, é triste como o direito às artes, à criatividade, sentimentos e afetividade nos é vetado desde pequenos, e como isso aumenta no lugar em que o processo de liberdade e autonomia deveria crescer, na ESCOLA!
    Sempre fui uma aluna bem sonhadora, porém fui constantemente convidada a voltar para a Terra, e como aluna obediente que aprendi ser, eu voltava...
    Voltava do caminho livre de meus sonhos, para o caminho que me indicavam e por diversas vezes a dúvida quanto a esta escolha apareceu, ficando difícil muitas vezes saber realmente quais decisões são com autonomia e quais são feitas para agrado de outros.
    Admiro àqueles que persistem no caminho das utopias e dos ideais e aceitam este como verdadeiro e digno!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. "Eu devia estar contente
    Por ter conseguido
    Tudo o que eu quis
    Mas confesso abestalhado
    Que eu estou decepcionado...

    Porque foi tão fácil conseguir
    E agora eu me pergunto "e daí?"
    Eu tenho uma porção
    De coisas grandes prá conquistar
    E eu não posso ficar aí parado..."

    Rauzito é sensacional em descrever em forma de música muitas coisas que pensamos e sentimos. "Ouro de tolo" é uma de suas canções que mais traduzem aquilo que vivemos ainda hoje na sociedade. Uma ânsia de querer tudo, de querer garantir a vida, de vencer e estar dentro daquilo que a sociedade espera de você. Um cidadão, que contribui, que trabalha, que garante seu sustento, que consome e que se distrai algumas vezes. O trecho que destaquei da música me fez pensar (muitas vezes) o quanto tudo isso não é nada perto daquilo que poderíamos conquistar e descobrir (assim como Raul mesmo sugere). Neste contexto, acho importante percebermos como a educação escolar nos molda à desenvolver somente um aspecto da vida e o grande problema é que ela trabalha este aspecto como se fosse o único e muitos de nós não conseguimos nem mesmo:
    "...olhar no espelho
    Se sentir
    Um grandessíssimo idiota
    Saber que é humano
    Ridículo, limitado
    Que só usa dez por cento
    De sua cabeça animal..."

    Por isso acho que devemos ter uma nova concepção de educação. Também acredito (e luto) por uma nova sociedade, mas vejo que para alcança-la teremos muito trabalho pedagógico, educacional e muitas e muitas provas de amor à humanidade!

    Muito mais Rauzito e muito menos escolas que nos limitam...

    TOCA RAUL!

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  9. Não poderia deixar de comentar esse post: sou uma grande fã de Raul, estou ouvindo ele nesse momento e apresentei o mesmo para o grupo de alunos com quem estou trabalhando para montar uma rádio - alunos esses que, segundo as professoras, ouvem apenas funk e sertanejo, contudo, que amaram Raul Seixas, que eixou o recado, que repasso (ou relembro) a vocês:
    Se o rádio não toca, gire o botão!

    http://www.youtube.com/watch?v=gNaDU29QIHk

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  10. Interessante um blog que fale sobre a arte e a educação, pois o que vemos hoje em dia nas escolas, e que é chamado de artes, infelizmente não é nada.
    Somos obrigados a fazer desenhos, como já dito à cima, sobre as férias, quando muito aprendemos sobre desenhar rostos, ou temos que desenhar a fachada da escola. E a arte se resume a isso. O desenho. Transformam algo tão vivo, em algo tão monótono.
    Em outra experiências com as aulas de artes, pude vivenciar a criação de espetáculos por parte dos alunos. Isso sim era motivador, e nos alegrávamos em fazer. Contudo, a arte era apenas aquilo.
    Nada mais era pensado pelos professores. Não estou com isso apenas criticando, esta última experiência foi muito enriquecedora. No entanto, nós sabemos, a arte não é só isso. Há muito mais para ser explorado.
    Mas é realmente difícil pensar em arte quando estamos tão presos a realidade, aos desejos futuros, a provas, crescimento econômico e esta vida que vamos levando. Não vivemos o presente, estamos presos hora entre o passado que nos entristece ou nos deixa saudosistas, hora entre o futuro que nos assusta, mas ao mesmo tempo nos trás esperança. O modo como a vida e educação são levadas ultimamente é que levaram a arte a tal posição de esquecimento e desvalorização na escola.

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  11. A questão que me vem a mente sobre toda a discussão de arte e educação, é a nossa formação como pedagogo.
    Os alunos do fundamental 2 e Ensino médio e por ai em diante, foram "EDUCADOS" por um pedagogo que muitas vezes não tem tato e nem formação mínima em arte, esse pedagogo vai podar o desenvolvimento artístico de vários alunos, causando danos que são reparáveis, mas irá dar muito trabalho pra qualquer arte educador.

    Afinal, quantos de nós pedagogos levamos a serio as pouquíssimas matérias que tratam arte e educação em nossa formação? Quantos de nós procuramos outra formação para essa área?

    No final sobra somente a indignação que Raulzito nos traz com essa musica. E a possibilidade ainda de corrigir esse deslize que nos afligi!

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  12. Fui contemplada por todos os comentários das colegas ao pensar a arte na escola, mas fiquei pensando em um outro aspecto que poderia ajudar na promoção desse ensino: a formação de professores. Olhando pro nosso curso e vendo a formação privilegiada que temos no campo das linguagens artísticas, em comparação a outros, sucateados, vejo que o anseio por um ensino que vá além do tradicional fica no âmbito do discurso. Óbvio que não são todas e todos que não levam esse tipo de disciplina a sério (e não buscam mais formação), porém ouvir comentários do tipo "puta merda, vim aqui na Unicamp pra ficar pulando, rolando no chão?? fala sério" me entristecem demais. Aí ao invés de renovarem-se as práticas, ficaremos no mais do mesmo.

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  13. A proposta do Blog, o conteúdo publicado são de extrema relevância e causam sim uma certa inquietação, nos força a pensar em algumas alternativas...
    Concordo com os comentários de alguns colegas sobre a formação dos professores, sobre essas ideias ficarem somente no discurso, etc. Mas acredito também na questão da "contaminação" desses novos profissionais por aqueles mais velhos, mais cansados do sistema. Quem aqui não fez algum estágio e ficou horrorizado com os comentários dentro da sala dos professores? Além disso, o que gera essa "contaminação"? Seria as condições de trabalho? A educação prévia dos alunos em suas casas? A cultura do brasileiro por uma educação desvalorizada? O sistema de ensino com a questão de repetência, dos horários de aula, dos assuntos pré estabelecidos? A questão vai muito mais adiante pensando nas matérias mais "tradicionais" (vistas, por muitos, como matérias mais "importantes"), imagine então para matérias "secundárias" como arte, sociologia, educação física e, até mesmo história? Essa cultura de matérias "secundárias" também não contribuiria para essa "contaminação"? Sei lá, me assusta pensar na educação brasileira hoje e quais são os desafios para se pensar e fazer diferente, parece uma luta contra gigantes

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  14. será que realmente estamos olhando o ser humano em sua integralidade quando pensamos nele em seu processo de formação? é uma ótima pergunta para reflexão. Pra começar a mudança que desejamos devemos apurar nosso olhar sobre arte educação como fizeram alguns comentários por aqui.

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  15. Escuto bastante Raul e achei muito interessante o link feito no post com a música. Penso que estamos mesmo precisando rever alguns conceitos e aprimorar alguns que estão apenas no plano da fala, na utopia. Nós como futuros formadores devemos sempre tentar nos renovar e buscar atender as novas demandas de formação, contudo devemos pensar e analisar a quais dessas novas que a sociedade impõe que iremos realmente aceitar e seguir.

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